A avaliação de acreditação costuma gerar a mesma sensação em quase todo laboratório: a de que falta encontrar algum registro. Na maioria das vezes, o problema não é a ausência de evidências, e sim a dificuldade de localizá-las e mostrar que estão atualizadas. Este checklist organiza os pontos que mais aparecem na avaliação da ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017, na ordem em que a própria norma está estruturada.
Use a lista como ponto de partida e adapte ao escopo, aos métodos e aos procedimentos do seu laboratório.
1. Requisitos gerais e estrutura (seções 4 e 5)
- Imparcialidade (4.1): riscos à imparcialidade identificados, analisados e com ações definidas quando necessário.
- Confidencialidade (4.2): compromisso formal da equipe e regras claras sobre informações de clientes.
- Estrutura (5): organograma, responsabilidades e autoridades definidas, incluindo quem responde pela gestão e pelas atividades técnicas.
2. Recursos (seção 6)
Pessoal (6.2)
- Requisitos de competência definidos por função.
- Registros de formação, treinamento, experiência e acompanhamento.
- Autorizações formais para atividades específicas, como realizar ensaios, emitir relatórios ou interpretar resultados.
- Monitoramento da competência ao longo do tempo, não apenas na contratação.
Instalações e condições ambientais (6.3)
- Condições ambientais que afetam os resultados identificadas, monitoradas e registradas.
- Controle de acesso e separação de áreas incompatíveis, quando aplicável.
Equipamentos e rastreabilidade (6.4 e 6.5)
- Programa de calibração atualizado, com intervalos definidos e justificados.
- Certificados de calibração arquivados e com análise crítica registrada.
- Verificações intermediárias, quando necessárias, com critérios de aceitação.
- Identificação da situação de calibração nos equipamentos.
- Rastreabilidade metrológica demonstrada (por exemplo, calibrações por laboratórios acreditados e materiais de referência de produtores competentes).
Detalhamos esse tema em Controle de equipamentos e calibração na ISO/IEC 17025.
Produtos e serviços providos externamente (6.6)
- Critérios para seleção, avaliação e monitoramento de fornecedores críticos, incluindo provedores de calibração e laboratórios subcontratados.
- Registros das avaliações e das ações decorrentes.
3. Processo (seção 7)
- Análise crítica de pedidos (7.1): evidência de que o laboratório avaliou se tem capacidade e recursos antes de aceitar o serviço.
- Métodos (7.2): registros de verificação de métodos normalizados e de validação de métodos não normalizados ou modificados.
- Amostragem e manuseio de itens (7.3 e 7.4): plano de amostragem, quando aplicável, e controle de recebimento, identificação e armazenamento.
- Registros técnicos (7.5): dados suficientes para repetir a atividade, com identificação de quem executou e conferiu.
- Incerteza de medição (7.6): estimativas documentadas para os métodos do escopo.
- Garantia da validade dos resultados (7.7): controles internos planejados (como cartas de controle e materiais de referência) e participação em ensaios de proficiência ou comparações interlaboratoriais.
- Relato de resultados (7.8): modelos de relatório com as informações exigidas e regras para declarações de conformidade, quando emitidas.
- Reclamações e trabalho não conforme (7.9 e 7.10): registros de tratamento, avaliação de impacto e comunicação ao cliente quando necessário.
- Controle de dados (7.11): sistemas e planilhas usados nos cálculos validados e protegidos.
4. Sistema de gestão (seção 8)
- Documentos (8.3): versões vigentes aprovadas, disponíveis nos locais de uso e com histórico de revisão.
- Registros (8.4): regras de identificação, armazenamento, retenção e descarte.
- Riscos e oportunidades (8.5): levantamento atualizado e ações planejadas.
- Ações corretivas (8.7): análise de causa e verificação de eficácia registradas.
- Auditorias internas (8.8): programa cumprido, constatações tratadas e auditores com competência e independência.
- Análise crítica pela gestão (8.9): ata com as entradas e saídas previstas na norma.
Os erros que mais complicam a avaliação
- Evidências espalhadas. Certificados em uma pasta, treinamentos em outra, ações corretivas em planilhas diferentes. Na avaliação, o tempo gasto procurando registros passa a impressão de descontrole.
- Prazos vencidos sem tratamento. Uma calibração vencida de um equipamento em uso, sem registro de retirada ou avaliação de impacto, é uma constatação frequente.
- Ações corretivas sem verificação de eficácia. Registrar a ação não basta: é preciso mostrar que o problema não se repetiu.
- Competência sem monitoramento. Autorizar um analista uma vez e nunca mais avaliar o desempenho dele.
- Documentos obsoletos em uso. Cópias impressas antigas nas bancadas contradizem a versão vigente.
Como organizar as evidências
A forma mais simples de chegar tranquilo à avaliação é manter as evidências organizadas durante o ano, e não apenas nas semanas anteriores. Algumas práticas ajudam:
- Centralizar documentos, registros e prazos em um único lugar.
- Usar alertas para calibrações, verificações, validades de documentos e reavaliação de fornecedores.
- Relacionar cada não conformidade às ações, aos documentos revisados e aos treinamentos decorrentes.
- Fazer uma auditoria interna completa alguns meses antes da avaliação, com tempo para tratar as constatações.
Se a equipe ainda não tem auditores internos formados, a Formação de Auditor ABNT NBR ISO/IEC 17025:2017 prepara para planejar e conduzir essas auditorias. Para apoio na implantação ou na preparação para a acreditação, conheça a consultoria especializada.
Organize as evidências do laboratório em um só lugar
O e.Quality reúne equipamentos e calibrações, documentos, competência da equipe, fornecedores, não conformidades e auditorias, com alertas de prazo e histórico para consulta na avaliação.
Conhecer o software para ISO/IEC 17025 Falar com a equipe